Chapeuzinho Vermelho
Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho, que tinha esse
apelido pois desde pequenina gostava de usar chapéus e capas desta cor.
Um dia, sua mãe pediu:
- Claro, mamãe. A casa da vovó é bem pertinho!
- Mas, tome muito cuidado. Não converse com estranhos, não diga para
onde vai, nem pare para nada. Vá pela estrada do rio, pois ouvi dizer
que tem um lobo muito mau na estrada da floresta, devorando quem passa
por lá.
- Está bem, mamãe, vou pela estrada do rio, e faço tudo direitinho!
E assim foi. Ou quase, pois a menina foi juntando flores no cesto
para a vovó, e se distraiu com as borboletas, saindo do caminho do rio,
sem perceber.
Cantando e juntando flores, Chapeuzinho Vermelho nem reparou como o lobo estava perto...
Ela nunca tinha visto um lobo antes, menos ainda um lobo mau. Levou um susto quando ouviu:
- Onde vai, linda menina?
- Vou à casa da vovó, que mora na primeira casa bem depois da curva do rio. E você, quem é?
O lobo respondeu:
- Sou um anjo da floresta, e estou aqui para preteger criancinhas como você.
- Ah! Que bom! Minha mãe disse para não conversar com estranhos, e também disse que tem um lobo mau andando por aqui.
- Que nada - respondeu o lobo - pode seguir tranqüila, que vou na
frente retirando todo perigo que houver no caminho. Sempre ajuda
conversar com o anjo da floresta.
- Muito obrigada, seu anjo. Assim, mamãe nem precisa saber que errei o caminho, sem querer.
E o lobo respondeu:
- Este será nosso segredo para sempre...
E saiu correndo na frente, rindo e pensando:
(Aquela idiota não sabe de nada: vou jantar a vovozinha dela e ter a netinha de sobremesa ... Uhmmm! Que delícia!)
Chegando à casa da vovó, Chapeuzinho bateu na porta:
- Vovó, sou eu, Chapeuzinho Vermelho!
- Pode entrar, minha netinha. Puxe o trinco, que a porta abre.
A menina pensou que a avó estivesse muito doente mesmo, para nem se
levantar e abrir a porta. E falando com aquela voz tão estranha...
Chegou até a cama e viu que a vovó estava mesmo muito doente. Se não
fosse a touquinha da vovó, os óculos da vovó, a colcha e a cama da vovó,
ela pensaria que nem era a avó dela.
- Eu trouxe estas flores e os docinhos que a mamãe preparou. Quero que fique boa logo, vovó, e volte a ter sua voz de sempre.
- Obridada, minha netinha (disse o lobo, disfarçando a voz de trovão).
Chapeuzinho não se conteve de curiosidade, e perguntou:
- Vovó, a senhora está tão diferente: por que esses olhos tão grandes?
- É prá te olhar melhor, minha netinha.
- Mas, vovó, por que esse nariz tão grande?
- É prá te cheirar melhor, minha netinha.
- Mas, vovó, por que essas mãos tão grandes?
- São para te acariciar melhor, minha netinha.
(A essa altura, o lobo já estava achando a brincadeira sem graça,
querendo comer logo sua sobremesa. Aquela menina não parava de
perguntar...)
- Mas, vovó, por que essa boca tão grande?
- Quer mesmo saber? É prá te comer!!!!
- Uai! Socorro! É o lobo!
A menina saiu correndo e gritando, com o lobo correndo bem atrás dela, pertinho, quase conseguindo pegar.
Por sorte, um grupo de caçadores ia passando por ali bem na hora, e seus gritos chamaram sua atenção.
Ouviu-se um tiro, e o lobo caiu no chão, a um palmo da menina.
Todos já iam comemorar, quando Chapeuzinho falou:
- Acho que o lobo devorou minha avozinha.
mastigar. Acho que estou vendo movimento em sua barriga, vamos ver...
Com um enorme facão, o caçador abriu a barriga do lobo de cima abaixo, e de lá tirou a vovó inteirinha, vivinha.
- Viva! Vovó!
E todos comemoraram a liberdade conquistada, até mesmo a vovó, que já não se lembrava mais de estar doente, caiu na farra.
"O lobo mau já morreu. Agora tudo tem festa: posso caçar borboletas, posso brincar na floresta."
FIM
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O Pequeno Polegar
Esta é uma lenda antiga, que surgiu na Europa há muitos anos, mas
ninguém sabe quem escreveu ou inventou, como tantas outras historinhas
aqui.
Conta sobre uma família de camponeses pobres, com sete filhos ainda
crianças para criar. O filho caçula nasceu tão pequenininho e fraquinho,
que foi sorte sobreviver. Ganhou por isso o apelido de Pequeno Polegar.
Ele era pequeno, porém muito esperto, sempre aprendendo brincadeiras
novas com seus irmãos.
Naquele tempo, houve na Europa uma grande fome, que se espalhava por
todas as cidades em volta da casa de Polegar. Não havia alimentos para
todos. As panelas estavam vazias...
O pai das crianças, sabendo que todas morreriam de fome se ficassem em casa, teve uma idéia:
- Vou levar todos para a floresta. Talvez encontrem coisas para se alimentar e sobreviver. Aqui é que não vai dar certo.
A mãe chorou muito, mas concordou com o pai em não contar nada para
os filhos, para que não se desesperassem. Preparou um lanchinho para
cada um (o último que tinham), e todos partiram cedo, pela manhã, como
se fossem passear na floresta.
Depois de estarem todos bem cansados de andar, os pais foram se afastando, sem que as crianças percebessem.
O Pequeno Polegar foi o primeiro a reparar que os pais haviam sumido.
Todos tentaram procurar, mas se descobriram perdidos e abandonados...
A noite já vinha chegando, e as crianças tinham medo dos lobos e morcegos que faziam ruídos assustadores em volta.
O irmão mais velho subiu na árvore mais alta para procurar um abrigo
para a noite. Todos festejaram quando ele disse ter visto a torre de um
castelo ao longe, para o lado de onde a lua vinha nascendo.
Foram caminhando rapidamente, pensando achar um grande castelo
acolhedor, com um rei e uma rainha ricos e bondosos para dividir abrigo e
alimento com todos eles.
Não era bem isso quando se via de perto, mas todo o resto era apenas a
floresta perigosa, e eles não queriam ser devorados. Então bateram à
porta assim mesmo.
Uma estranha voz respondeu:
- Vocês estão loucos? Não sabem o que tem atrás desta porta?
- Quem está falando? - perguntou Polegar.
-Eu! Ora bolas!
- Não sabia que existiam maçanetas falantes! - disseram todos.
- Para sorte de vocês, está vindo aí a dona da casa, que é boa e carinhosa, mas se chegar o patrão ...
A dona da casa abriu a porta, torcendo o nariz da maçaneta, que nem
reclamou. Recebeu aquelas crianças abandonadas e famintas com todo seu
carinho, mesmo preocupada que o marido pudesse chegar a qualquer
momento. Trouxe bastante comida, que ali não parecia faltar. Todos
ficaram satisfeitos e encheram as barrigas.
Como sempre, a maçaneta soltou berros horríveis quando o patrão
torceu forte seu nariz para entrar. Ouvindo isso, a dona da casa correu
para esconder as crianças embaixo da cama do casal.
Não adiantou nada, pois o ogro malvado que era seu marido sentiu o cheiro de gente estranha logo logo...
- Vou comê-los no jantar! Ahaha!
A mulher pediu que ele esperasse um pouco mais, pois o jantar
maravilhoso de hoje já estava pronto, e tinha todos os pratos especiais
que ele adorava.
Então o ogro mandou que fossem se deitar na cama ao lado da cama de
suas filhas. Sim, o ogro tinha sete filhas, que dormiam todas na mesma
cama, com suas coroas na cabeça.
Logo que os meninos se retiraram, ele rosnou que iria degolar cada um deles à noite. E ficou sentado esperando que dormissem...
Quando todos dormiram, colocou sua idéia em prática: trocou os
chapéus de seus irmãos, e o seu também, pelas coroas das meninas, e foi
se deitar bem quietinho. Naquele quarto escuro, ele imaginou que o ogro
iria reconhecer as filhas pelas coroas nas cabeças, e foi isso mesmo.
Quando o ogro chegou, foi direto para a cama dos meninos, mas pondo a
mão nas cabecinhas, sentiu as coroas, e assim foi para a outra cama.
Degolou todas as crianças que tinham chapéu na cabeça.
- Ufa! Quase degolei minhas próprias filhas!
O Pequeno Polegar notou as enormes botas encantadas ao lado da porta,
e resolveu calçar assim mesmo, com a maçaneta prendendo a gargalhada
com o ridículo do seu tamanho junto ao da bota.
Fez bem: era uma bota encantada, e se ajustou perfeitamente ao seu tamanho assim que calçou em seus pequeninos pés.
Com elas, ajudou seus irmãos a voltarem para casa, mas não quis ficar. Despediu-se deles, e disparou para o castelo real.
Lá chegando, disse logo que era o correio mais rápido do reino, e gostaria de provar sua capacidade ao rei.
Nos primeiros dias, levava apenas mensagens sem importância, mas ele
era mesmo tão veloz e tão correto, que acabou conquistando a confiança
do rei em pessoa. Logo estava sendo o responsável pela entrega das
mensagens mais importantes, até mesmo as de guerra.
Tudo chegava voando
pelas mãos dele, com a ajuda da bota de sete léguas. Assim, o Pequeno Polegar foi ganhando e juntando muito dinheiro.
Um dia, ele achou que era hora de voltar em casa, e levar dinheiro
bastante para sua família nunca mais sentir fome ou abandono. E isso ele
também conseguiu.
FIM
Colocou para assar no espeto uma galinha, escondendo um ossinho comprido e bem fininho.
Quando levou a comida para João, disse a ele bem baixinho, para a bruxa não escutar:
- Esconda este ossinho para fingir que é seu dedo bem magrinho e enganar a bruxa. Ela não enxerga quase nada...
- Quietos aí! Quem disse que podem conversar?
Desse dia em diante, João sempre mostrava o ossinho para a bruxa apertar quando ela queria saber se ele já estava bem gordinho.
- Maria! Esse menino está magro como um palito. Faça mais comida!
E Maria fazia muitas coisas para que os dois ficassem bem fortes para poder fugir.
Em toda parte, a menina procurava o lugar onde a bruxa escondia a chave da gaiola, mas não conseguia encontrar.
Tudo agora dependia da força de João para fugirem dali.
Naquela noite, João se esforçou muito, e acabou conseguindo soltar a grade da gaiola. Tinha ficado bem forte, e a bruxa nem sabia disso.
Os dois correram para se esconder na floresta antes que a bruxa acordasse.
Na luz do dia, conseguiram achar o caminho de casa, e nunca mais voltaram naquele lado da floresta.
Essa história ouvi de meu avô João, nas férias. Será que ele viveu todas essas aventuras quando era criança?
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Tinha vários soldados, amigos e inimigos, antigos e modernos, formando exércitos quase de verdade. Lutamos muitas batalhas, sempre vencendo, é claro.
Um dos soldadinhos veio com uma perna faltando, mas ele era o mais esperto, e eu ganhava todas quando ele fazia parte da luta. Até a bailarina da caixinha de música ficava alegre quando ele brincava comigo e acertava os inimigos!
- O problema é que no dia seguinte chegou um cara chato, filho de uma amiga da mamãe. As duas ficaram de papo na sala, blá-blá-blá,
e eu aturando o garoto. Em tudo ele mexia sem pedir "por favor".
Foi logo abrindo armários e gavetas, botando os brinquedos novos todos para fora, na maior bagunça, espalhando palavras más enquanto jogava tudo pelo chão: "este é velho", "este é feio", "este parece bobo"...
Sabe o tipo que finge que não ouve o que a gente diz? Tentei chamar a mamãe, mas as duas continuavam na sala
blá-blá-blá.
Voltei para o quarto bem na hora que o chato jogava pela janela meu soldadinho de chumbo favorito de uma perna só, enquanto tocava minha corneta, que eu também não emprestei.
-Joguei fora aquele soldado com defeito, não serve mais para mim. Eu só gosto de tudo o que é perfeito (disse o garoto chato).
O tempo estava ficando feio junto com a minha raiva ( e a da bailarina também ). Caía uma chuva forte, inundando as ruas.
Meu soldadinho caiu pela janela aberta, mas eu não pude pegá-lo de volta: um barquinho de papel estava passando ali embaixo bem na hora, e foi dentro dele que o soldadinho caiu.
E o barquinho foi navegando rápido pelas águas das ruas, entrou pelo bueiro, passou por baixo das casas, das praças, das padarias, das lojas, das escolas, farmácias, até chegar no mar.
Chegando lá, a onda do mar foi forte demais para o barquinho de papel, que se desdobrou. E o soldadinho de chumbo foi afundando, afundando, querendo muito que eu o salvasse, mas sem descobrir como. Quando estava quase chegando à areia do fundo do mar, onde eu jamais conseguiria pegá-lo...
Um peixe guloso pensou que ele fosse um delicioso alimento. Abriu o bocão e engoliu o soldadinho de chumbo inteirinho, que só assim não caiu no fundo do mar.
Pouco depois, o mesmo bocão foi morder a isca do anzol do pescador, que o tirou do mar para vender.
Quando mamãe foi ao mercado, comprou várias coisas, e já estava quase indo embora quando viu os peixes frescos chegando. Parou para escolher algum bem saboroso. Olhou bem, apertou aqui e ali, até ficar satisfeita com aquele.
Ao preparar o peixe para a janta, abriu sua barriga e encontrou lá dentro o soldadinho que estava faltando.
Logo me chamou, e eu fiquei muito contente:
- Meu soldadinho voltou!
Lavei bem, e corri para o quarto para mostrar a todos os meus brinquedos quem tinha voltado para casa.
A bailarina, que tinha passado os dias triste e paradinha, voltou a ligar a música e dançar de alegria. O soldadinho parecia que só tinha saudades dela.
( Acho que estão namorando)
O bom mesmo é que, deste aniversário em diante, eu é que resolvo quem entra ou não entra mais no meu quarto, e mexe nos meus brinquedos. Aqui não é lugar para qualquer um e, se eu não gostar, já sei botar os chatos para fora.
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Era uma vez um menino chamado João e sua irmã Maria, que moravam em uma casa perto da floresta.
Um dia, sua mãe pediu que fossem buscar galhos secos para acender o fogo. Não pecisavam trazer muitos, apenas o bastante para acender a lareira.
- Não vão muito longe. Os galhos que temos aqui perto já servem, não vão se perder por aí...
- Pode deixar, mamãe, vamos voltar logo!
E lá se foram os dois procurar gravetos secos por ali, entre várias brincadeiras. Não queriam ir longe, mas estavam tão curiosos com a floresta que resolveram arriscar só um pouquinho.
Maria teve uma idéia genial: foi marcando todo o caminho, para saber por onde voltar: assim não iriam se perder. E bricaram à vontade.
Já estava querendo escurecer quando resolveram voltar. Maria foi logo procurando os pedacinhos de pão que deviam estar marcando o caminho, mas...
Os passarinhos que moravam ali estavam achando ótimo aquele lanchinho, e não deixaram nem um miolinho de pão sobrar. Não havia como achar o caminho de volta para casa. A idéia de marcar o caminho tinha sido ótima, mas não com pedacinhos de pão.
- Agora estamos os dois com fome e perdidos!
Andaram de um lado para outro, mas nada de encontrar o caminho de casa, cada vez mais escuro.
A noite já tinha chegado, quando João teve uma boa idéia:
- Vou subir na árvore mais alta e ver se encontro alguma casa para passarmos a noite.
Maria achou ótimo, pois já estava muito assustada com os ruídos da noite na floresta. E João encontrou alguma coisa:
- Tem uma luz daquele lado! Vamos lá ver!
Os dois correram na direção da luz acesa da casa mais próxima.
Ao chegarem, viram uma velhinha que parecia muito boazinha e sorridente.
- Venham cá! Venham, meus amiguinhos. Aqui vão encontrar muita comida gostosa.
(os dois estavam morrendo de fome)
Então viram a casa de perto:
- Uuuuau!
As paredes eram de chocolate com castanhas, o telhado era de brigadeiro, as portas de biscoito fresquinho, as janelas de gelatina, tudo enfeitado com caramelo, sorvete e balas coloridas. Uhmmm!
-
Comam tudo, meus amiguinhos, é para vocês. Depois podem descansar em
camas fofinhas e bem quentinhas. Amanhã acharemos a casa de vocês.
E os dois obedeceram contentes, e acabaram dormindo cansados de um dia tão cheio.
Acordaram antes do sol nascer, pensando que estavam na maravilhosa casa de doces.
Mas, que nada:
A casa tinha desaparecido como se fosse mágica. Em seu lugar havia uma horrível casa de bruxa, com morcegos e tudo.
Uma gargalhada terrível vinha da escada, por onde chegou a bruxa malvada com sua coruja:
- Pensaram que iam escapar, não? Vão ficar presos aqui para sempre, e nunca mais vou deixar que voltem para casa. Ha! Ha! Ha!
A bruxa mandou Maria para a cozinha preparar comida para todos: agora ela era a empregada da casa. Tinha que fazer todo o serviço, se não...
Prendeu João numa gaiola e disse:
- Menino: trate de ficar bem gordinho! Quando estiver pronto, vai virar o meu jantar especial. Ha! Ha! Ha!
Maria foi a primeira a reparar que a bruxa malvada não enxergava bem. Tudo ela trazia bem perto dos olhos para ver direito.
Para saber se João estava engordando bem, toda noite chamava o menino e mandava que mostrasse o seu dedinho da mão. Apertava bem, e dizia que ainda estava muito magrinho.
- Maria! Faça mais comida! Ele tem que engordar. Depressa!
João, preso na gaiola já nem sentia fome, de tão triste que estava. Queria voltar a ser livre, correr solto com seus amigos e brinquedos. Lembrava bem como isso era bom.
Maria tentava encontar uma saída para os dois, enquanto fazia o serviço sem nenhum brinquedo. Tinha saudades de tudo em casa mas, como enganar a bruxa e fugir?
Foi na cozinha que teve uma idéia:
João e Maria
Era uma vez um menino chamado João e sua irmã Maria, que moravam em uma casa perto da floresta.
Um dia, sua mãe pediu que fossem buscar galhos secos para acender o fogo. Não pecisavam trazer muitos, apenas o bastante para acender a lareira.
- Não vão muito longe. Os galhos que temos aqui perto já servem, não vão se perder por aí...
- Pode deixar, mamãe, vamos voltar logo!
E lá se foram os dois procurar gravetos secos por ali, entre várias brincadeiras. Não queriam ir longe, mas estavam tão curiosos com a floresta que resolveram arriscar só um pouquinho.
Maria teve uma idéia genial: foi marcando todo o caminho, para saber por onde voltar: assim não iriam se perder. E bricaram à vontade.
Já estava querendo escurecer quando resolveram voltar. Maria foi logo procurando os pedacinhos de pão que deviam estar marcando o caminho, mas...
Os passarinhos que moravam ali estavam achando ótimo aquele lanchinho, e não deixaram nem um miolinho de pão sobrar. Não havia como achar o caminho de volta para casa. A idéia de marcar o caminho tinha sido ótima, mas não com pedacinhos de pão.
- Agora estamos os dois com fome e perdidos!
Andaram de um lado para outro, mas nada de encontrar o caminho de casa, cada vez mais escuro.
A noite já tinha chegado, quando João teve uma boa idéia:
- Vou subir na árvore mais alta e ver se encontro alguma casa para passarmos a noite.
Maria achou ótimo, pois já estava muito assustada com os ruídos da noite na floresta. E João encontrou alguma coisa:
- Tem uma luz daquele lado! Vamos lá ver!
Os dois correram na direção da luz acesa da casa mais próxima.
Ao chegarem, viram uma velhinha que parecia muito boazinha e sorridente.
(os dois estavam morrendo de fome)
Então viram a casa de perto:
- Uuuuau!
As paredes eram de chocolate com castanhas, o telhado era de brigadeiro, as portas de biscoito fresquinho, as janelas de gelatina, tudo enfeitado com caramelo, sorvete e balas coloridas. Uhmmm!
E os dois obedeceram contentes, e acabaram dormindo cansados de um dia tão cheio.
Acordaram antes do sol nascer, pensando que estavam na maravilhosa casa de doces.
Mas, que nada:
A casa tinha desaparecido como se fosse mágica. Em seu lugar havia uma horrível casa de bruxa, com morcegos e tudo.
Uma gargalhada terrível vinha da escada, por onde chegou a bruxa malvada com sua coruja:
- Pensaram que iam escapar, não? Vão ficar presos aqui para sempre, e nunca mais vou deixar que voltem para casa. Ha! Ha! Ha!
A bruxa mandou Maria para a cozinha preparar comida para todos: agora ela era a empregada da casa. Tinha que fazer todo o serviço, se não...
Prendeu João numa gaiola e disse:
- Menino: trate de ficar bem gordinho! Quando estiver pronto, vai virar o meu jantar especial. Ha! Ha! Ha!
Maria foi a primeira a reparar que a bruxa malvada não enxergava bem. Tudo ela trazia bem perto dos olhos para ver direito.
Para saber se João estava engordando bem, toda noite chamava o menino e mandava que mostrasse o seu dedinho da mão. Apertava bem, e dizia que ainda estava muito magrinho.
- Maria! Faça mais comida! Ele tem que engordar. Depressa!
João, preso na gaiola já nem sentia fome, de tão triste que estava. Queria voltar a ser livre, correr solto com seus amigos e brinquedos. Lembrava bem como isso era bom.
Maria tentava encontar uma saída para os dois, enquanto fazia o serviço sem nenhum brinquedo. Tinha saudades de tudo em casa mas, como enganar a bruxa e fugir?
Foi na cozinha que teve uma idéia:
Colocou para assar no espeto uma galinha, escondendo um ossinho comprido e bem fininho.
Quando levou a comida para João, disse a ele bem baixinho, para a bruxa não escutar:
- Esconda este ossinho para fingir que é seu dedo bem magrinho e enganar a bruxa. Ela não enxerga quase nada...
- Quietos aí! Quem disse que podem conversar?
Desse dia em diante, João sempre mostrava o ossinho para a bruxa apertar quando ela queria saber se ele já estava bem gordinho.
- Maria! Esse menino está magro como um palito. Faça mais comida!
E Maria fazia muitas coisas para que os dois ficassem bem fortes para poder fugir.
Em toda parte, a menina procurava o lugar onde a bruxa escondia a chave da gaiola, mas não conseguia encontrar.
Tudo agora dependia da força de João para fugirem dali.
Naquela noite, João se esforçou muito, e acabou conseguindo soltar a grade da gaiola. Tinha ficado bem forte, e a bruxa nem sabia disso.
Os dois correram para se esconder na floresta antes que a bruxa acordasse.
Na luz do dia, conseguiram achar o caminho de casa, e nunca mais voltaram naquele lado da floresta.
Essa história ouvi de meu avô João, nas férias. Será que ele viveu todas essas aventuras quando era criança?
Fim
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Outro Soldadinho de chumbo
( Adaptado do conto famoso de Hans Christian Andersen )
Semana passada foi meu aniversário, e eu fiquei muito animado com os presentes!
Claro que eu gosto de bola, pipa, jogos e muito mais, e ganhei de tudo um pouco. Mas nada se compara aos soldadinhos de chumbo, com suas armas e uniformes incríveis, que ganhei do meu tio. Comecei logo a brincar, e não queria mais parar.
Tinha vários soldados, amigos e inimigos, antigos e modernos, formando exércitos quase de verdade. Lutamos muitas batalhas, sempre vencendo, é claro.
Um dos soldadinhos veio com uma perna faltando, mas ele era o mais esperto, e eu ganhava todas quando ele fazia parte da luta. Até a bailarina da caixinha de música ficava alegre quando ele brincava comigo e acertava os inimigos!
- O problema é que no dia seguinte chegou um cara chato, filho de uma amiga da mamãe. As duas ficaram de papo na sala, blá-blá-blá,
Foi logo abrindo armários e gavetas, botando os brinquedos novos todos para fora, na maior bagunça, espalhando palavras más enquanto jogava tudo pelo chão: "este é velho", "este é feio", "este parece bobo"...
Sabe o tipo que finge que não ouve o que a gente diz? Tentei chamar a mamãe, mas as duas continuavam na sala
Voltei para o quarto bem na hora que o chato jogava pela janela meu soldadinho de chumbo favorito de uma perna só, enquanto tocava minha corneta, que eu também não emprestei.
-Joguei fora aquele soldado com defeito, não serve mais para mim. Eu só gosto de tudo o que é perfeito (disse o garoto chato).
O tempo estava ficando feio junto com a minha raiva ( e a da bailarina também ). Caía uma chuva forte, inundando as ruas.
Meu soldadinho caiu pela janela aberta, mas eu não pude pegá-lo de volta: um barquinho de papel estava passando ali embaixo bem na hora, e foi dentro dele que o soldadinho caiu.
E o barquinho foi navegando rápido pelas águas das ruas, entrou pelo bueiro, passou por baixo das casas, das praças, das padarias, das lojas, das escolas, farmácias, até chegar no mar.
Chegando lá, a onda do mar foi forte demais para o barquinho de papel, que se desdobrou. E o soldadinho de chumbo foi afundando, afundando, querendo muito que eu o salvasse, mas sem descobrir como. Quando estava quase chegando à areia do fundo do mar, onde eu jamais conseguiria pegá-lo...
Um peixe guloso pensou que ele fosse um delicioso alimento. Abriu o bocão e engoliu o soldadinho de chumbo inteirinho, que só assim não caiu no fundo do mar.
Pouco depois, o mesmo bocão foi morder a isca do anzol do pescador, que o tirou do mar para vender.
Quando mamãe foi ao mercado, comprou várias coisas, e já estava quase indo embora quando viu os peixes frescos chegando. Parou para escolher algum bem saboroso. Olhou bem, apertou aqui e ali, até ficar satisfeita com aquele.
Ao preparar o peixe para a janta, abriu sua barriga e encontrou lá dentro o soldadinho que estava faltando.
Logo me chamou, e eu fiquei muito contente:
- Meu soldadinho voltou!
Lavei bem, e corri para o quarto para mostrar a todos os meus brinquedos quem tinha voltado para casa.
A bailarina, que tinha passado os dias triste e paradinha, voltou a ligar a música e dançar de alegria. O soldadinho parecia que só tinha saudades dela.
( Acho que estão namorando)
O bom mesmo é que, deste aniversário em diante, eu é que resolvo quem entra ou não entra mais no meu quarto, e mexe nos meus brinquedos. Aqui não é lugar para qualquer um e, se eu não gostar, já sei botar os chatos para fora.
Fim
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